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O NOSSO LADO SOMBRA

O NOSSO LADO SOMBRA

Saudações,
A Sombra descrita no título vem a ser um dos arquétipos que compõe nosso inconsciente coletivo, assim conceituado por Carl Jung, médico psiquiatra e psicanalista e criador da técnica terapêutica Psicologia Analítica, a camada mais profunda do nosso inconsciente onde temos guardadas memórias ancestrais. Este arquétipo Sombra representa o lado escuro, inferior e primitivo em nós.
A sombra pode se manifestar através de atitudes, mas também de sonhos e imagens, dotadas de atributos negativos, opostos àqueles socialmente aceitos, impondo-se a nós, deixando-nos confusos. Sendo que esta confusão se dá exatamente por estas imagens serem aspectos nossos, pois se assim não fossem, simplesmente as ignoraríamos ao despertar.
No entanto, por vezes acordamos de mau-humor sem saber o porquê ou mesmo, ao longo do dia, irritamo-nos com facilidade com coisas simples no trabalho ou entre outros espaços sociais.
Neste momento, estamos nos deparando com nossa Sombra e não aceitamos. Quem de nós assume com tranqüilidade o lado invejoso, egoísta, impulsivo, moralmente condenável? 
As explosões emocionais que ocorrem por vezes em momentos de choro sem motivo aparente, agressividade ou irritação diante de situações aparentemente bobas, são o indício do represamento de nossa Sombra. Não querendo aceitá-la, tentamos escondê-la, negá-la, mas temos de saber que nada mais forte e perigoso do que nós mesmos e nossas capacidades psíquicas. Quando esta energia contida neste arquétipo nos toma, invadindo nossa consciência (Ego), é difícil reagir. Diria quase impossível para quem não tem um preparo emocional, uma capacidade de retornar ao centro através da presença de espírito. As conseqüências nós conhecemos e o comportamento, após passar esta invasão, também: é o choro, o pedido de perdão, o arrependimento, o martirizar-se.
Existem formas inadequadas de tentar amenizar este nosso lado Sombra, por mecanismos chamados mecanismos de defesa, tal qual a projeção, quando de maneira bastante confortável para o ego, descobrimos onde está o mal: no outro ou como na infantil postura da negação; basta negar aquele algo em você e pronto, não é mais com você. O fato é que estes mecanismos nos dão um alento, por conta de um comportamento, mas de certo, trazem terríveis efeitos colaterais.
O que nos cabe nesta hora é aceitar este aspecto Sombra que trazemos em nós e o aceitando, desenvolver uma capacidade de dialogar e buscar extrair dele o seu lado positivo, produtivo, estimulante e criativo. Como exemplo, podemos citar um sentimento muito comum hoje e sempre, que é a inveja de alguém por outro que tem o sucesso, que será negativa enquanto energia canalizada para produzir ódio ou até mesmo prejudicar o outro. No entanto, podemos utilizar esta mesma energia, canalizando-a de forma produtiva, extraindo dela o estímulo e a criatividade necessária para buscar o nosso próprio sucesso ao invés de simplesmente remoermos, odiarmos e nos incomodar com o sucesso alheio.
Só para registro, reflexão e, quem sabe, prática.