E OS MORTOS-VIVOS ?

E OS MORTOS-VIVOS ?

Saudações,

Em 2 de novembro comemora-se o Dia dos Mortos. Lembro-me de Drummond que em poema feito nos idos dos anos 40, tem dentre seus versos estes que escolho.

Homem morto. Luzes acesas.

Trabalha à noite, como se fora vivo.

Bom dia! Está mais forte (como se fora vivo).

Morto sem notícia, morto secreto.

Sabe imitar fome e como finge amor.

Temos nos versos assim de nosso poeta maior,  o pior dos mortos. O morto em vida. Aquele que da vida se ausenta e do viver se esconde.

Como máquina, sem alma ou vontade, constrói seu dia a dia em uma rotina que aceita sem questionar, que cumpre sem pensar, que repete sem se perceber.

Noite e dias sucedem-se sem nada doar ou trocar com o outro, sem nada a questionar ou satisfazer a sim mesmo.

Como o poeta que perdeu a poesia e pedra virou tão somente pedra, o morto em vida, não vê além da possibilidade única que se apresenta, caso enxergue pelo menos uma possibilidade.

Não se deixe enganar, a vida é muito mais do que este sistema civilizatório ocidental afirma ser e que seduz com seus benefícios que são oferecidos com uma mão para com a outra tomar.

Extraia o que há de melhor no seu trabalho, dos seus amigos,

familiares. Ofereça o que há de melhor em si, ao mundo, às pessoas que contigo convivem.

Não finja amor, como o morto-vivo do poema. Seja amor na sua forma plena e se faça presente no mundo, se expondo ao viver. Perceba...

Só para registro e já dito, percepção.

Fecha o pano.

Paz e Luz